gata


music video walk

A acção performativa Guia para um Andar Afirmativo foi criada a pensar no modo como o assédio sexual (particularmente no espaço público e na rua) limita o modo como as mulheres (sobretudo as mulheres) podem afirmar a sua presença, a forma como frequentemente se tornam apenas visíveis enquanto objectos do olhar objectificante de outros (sobretudo de homens) e consequentemente procuram tornar-se invisíveis ou adoptam estratégias que regulam a sua (in)visibilidade: utilizam as suas roupas ou acessórios (por ex óculos de sol) como escudos e barreiras contra a atenção indesejada de outros, não sorriem, não olham directamente para os homens por quem passam na rua, etc.

Estas práticas corporizam-se em fechamento e isolamento das mulheres, em menor liberdade de expressão e de movimentos, e passam uma poderosa mensagem, uma mensagem acerca do que podemos ser enquanto mulheres no espaço público. Afirmam a secundarização da nossa participação nesses espaços e a permanente possibilidade de objectificação e humilhação que acompanha frequentemente a experiência de assédio sexual. Inevitavelmente, tornam-se também parte do modo como nos limitamos, do que naturalizamos, do que deixamos de questionar e até do nosso corpo e de como ele nos relacionamos com o espaço.

É contra estas práticas, usando o corpo e a sua relação com o espaço, usando o simples acto de andar, que pretendemos afirmar a possibilidade de resistência. Assim, criámos esta acção performativa de modo a favorecer a asserção de uma presença que afirma (também corporalmente) a liberdade e a participação das mulheres na rua, e que se afirma enquanto resistência contra a naturalização da limitação negativa (“quando saio à rua sei que não posso…”) que quotidianamente sai à rua com as mulheres.

Uma primeira apresentação de uma ideia relacionada com esta, inserida ainda naquilo a que chamamos genericamente music video walk – pela relação com uma certa atitude no andar – foi aquela que se realizou na proposta da “flash march” – “These boots were made for walking” com que o GATA participou na Terceira Acção Internacional da Marcha Mundial das Mulheres a 18 de Março de 2010.

Desta vez (também inspirados pelo trabalho de uma organização indiana, blank noise), a acção passa por, no contexto da Rota dos Feminismos Contra o Assédio Sexual, desafiar as mulheres a experimentarem diferentes formas de andar, a fazerem-no sozinhas ou em conjunto, desafiando-as a libertar o andar, e experienciar um andar liberto – estimulado pelo desafio quase lúdico de seguir umas breves instruções. Favorece-se a possibilidade de experiências positivas de reclamar visibilidade, e de a reclamar nos seus termos, ao mesmo tempo que se procura aumentar a consciência relativamente a formas naturalizadas de opressão e de limitação dos modos de ser como as que estão presentes na simples acção de andar.

Para tal criaram-se cartões de visita com as instruções, cartões para serem dados às pessoas, onde se coloca o desafio e se oferece um espaço (através de um endereço de blog e de email) para a partilha da experiência, um espaço para que possam dizer algo sobre e dialogar connosco sobre a criação de liberdade e afirmação das mulheres (nas suas diferenças) no espaço público.

São para já estas as encarnações do music video walk… mas temos a sensação de que irá haver mais🙂.


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